christian camilo - camiloart

foto de Elliot Erwitt

A afirmação que encabeça o titulo deste post não é minha.

Quem joga todas as pedras de uma só vez na fotografia é o colunista Jonatan Jones do famoso jornal ingles The Guardian.
Para o jornalista inglês, que se julga entendedor de arte, a pintura e o desenho como arte tem mais valor por ser profunda, por envolver muito tempo de concepção, produção, materiais complexos e imaginação. A foto, segundo Jonatan, nada mais é do que uma mera arte de capturar momentos. Como se sua natureza se limitasse a documentar fatos do cotidiano de nossas vidas.

Uma das piores afirmações de Jonatan é esta abaixo:

A fotografia em uma galeria é vazia, sem alma, um substituto superficial para uma pintura. Colocar muitas fotografias em uma galeria é um grande desperdicio de espaço, quando os curadores poderiam prover IPADS para podermos simplesmente visualizar as fotografias digitalmente….

Consigo ver mitos da arte e da fotografia se revirando em suas covas. Consigo ouvir  escritores e pensadores que amo falando como a opinião deste rapaz é furada.

Na essência a arte depende da idéia e de ferramentas. A criatividade exige uma reorganização de idéias e depois de processo de elementos.

Van Gogh não teria feito lindos desenhos se não tivesse tido uma cadeia complexa de idéias, experiências e conclussões que levariam ao formato de seu estilo. Cartier Bresson, um dos mais famosos fotógrafos do mundo, desenvolveu se estilo influenciado pela geometria e pela arte surrealista. As idéias e experiências visuais que teve ao longo de sua vida influenciaram e muito sua obra.

Temos muitas pinturas ruins. Temos muitas fotos ruins. Mas também temos que entender o aspecto subjetivo de da arte.

Christian Camilo e Paulo Tartari

Tornados de Luz por Christian Camilo e Paulo Tartari

Nós não vamos gostar das mesmas coisas. Cada indivíduo tem uma visão diferente e um gosto diferente. Na minha opinião uma obra de arte traz o poder da conexão. Você se conecta com ela (gosta) ou não se conecta (não gosta).

Limitar a profundidade da fotografia ao retrato documental é de uma tolice brutal. Hoje, com a fotografia digital, pode parecer sim que a arte da fotografia morreu num oceano de selfies e fotos de gatinhos e cachorrinhos. Tenho a opinião de que a cultura da fotografia digital banaliza o poder da idéia e do estilo desta arte. Poucos fotógrafos se dão conta do valor do trabalho autoral, e mais do que isso, do valor de ter um estilo claramente definido.

Fotografia profunda não é aquela na qual apenas documentamos um momento da maneira mais óbvia possivel.
Fotografia profunda envolve um processo de edição que começa no instante que escolhemos o que vamos fotografar e como. Depois disso podemos manipular digitalmente, imprimir a imagem editada e jogar acido em cima, scanear, manipular novamente, imprimir novamente, mergulhar a fotografia numa banheira e então fotografar a foto no fundo da agua para então divulga-la.

A afirmação do jornalista de que a pintura é mais complexa que a fotografia é uma balela.

A complexidade de uma camera, a complexidade da luz e das lentes, a complexidade de um sensor, de um laptop, de uma impressão..a complexidade e o desafio do fotografo artistico é “enxergar aquilo que o olho humano dispensa”.

Temos pintura de parede. Pintura comercial. Pintura que não envolve um pingo de reflexão conceitual, mas que ainda assim pode ter seu valor artistico e comercial.

Temos a fotografia comercial e documental. De produtos, de modelos, de cachorros, de jóias….o nosso selfie de todo dia. Que não tem valor conceitual, mas pode ter valor artistico e comercial.

Galerias de arte em minha opinião deveriam ser celeiros de boas idéias.
Boas idéias podem produzir bons trabalhos e mostrar como as ferramentas de produção visual podem relevar algo inédito em nossa realidade.
Algo que nossos olhos humanos não viu, ou não pensou como ver.

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