christian camilo - camiloart

A fotografia conta com inúmeros guias e regras que visam auxiliar a produção de imagens fortes e criativas. Já falei da mais famosa delas, a regra dos terços, e existem outras como a regra de ouro de Caravaggio que merece um artigo no futuro.

Parte da força dessas teorias (conceitos estéticos ) reside na forma como somos educados a “ler” a realidade. Identificamos linhas, padrões, texturas, lemos da esquerda para a direita (algumas culturas da direita para esquerda)….e como animais temos a tendência de centralizar, afunilar no campo visual objetos/coisas que nos interessam.

A arte visual tenta chamar a atenção do espectador, justamente,  provocando a intuição  de nossa educação visual. Este nosso lado intuitivo quer centralizar a mensagem. A fotografia, a imagem produzida, que de alguma forma desorienta este lado intuitivo, primitivo, centralizador, força o espectador a interpretar a cena com mais atenção.

 

Composição simples: a linha diagonal leva nosso olhar as pessoas na praia.

Este ato racional de ler a fotografia, e a interpretação que podemos tirar dela, dependerá e muito da maneira como a composição visual foi produzida pelo fotógrafo, e também da educação do olhar do espectador. A reputação das regras de composição nasce desta relação: adoro a história dos indios que foram ao cinema pela primeira vez e que simplesmente olhavam para os cantos  extremos das cenas, onde podiam identificar elementos familiares como animais, mato, sol….a história para eles estava mal enquadrada e o diretor um pouco perdido…..

Vemos um esforço, muita vezes irracional, de utilizar as regras de composição para tentar fazer algo melhor com uma cena. Muitas vezes caio nesse tipo de bobeira: “Estou sem saída, mas preciso fotografar de alguma maneira isso. Vou tentar a regra dos terços”…..a idéia passa pela minha cabeça, como imagino passe na cabeça de muitos outros aficcionados por fotografia.

Já ouvi criticas construtivas dizendo que o fotógrafo chama atenção por justamente fugir de compor fotografias “com a visão de funil”: Fotógrafos amadores e fotografias corriqueiras caem nesse tipo de composição: possuem a tendência de centralizar o objeto de interesse, sem refletir muito qual seria a melhor forma de compor uma imagem para um melhor balanço estético. Fundo, perspectiva, padrões, poluição visual, nada disso passou na cabeça da nossa tia quando ela nos fotografou naquele aniversário inesquecível que não parávamos de correr…..

2013-05-28-2001_a_space_odyssey

2001 – Uma odisséia no Espaço.

Contudo, existe um grande potencial por trás deste tipo de composição centralizada. Minha impressão : quando deixamos  óbvio o ponto de interesse ao centro de uma imagem, com organização hârmonica  (muitas vezes simétrica), podemos provocar um grande envolvimento do espectador com a imagem.

“Afunilando a visão de funil”, eis um efeito visual muito bem ilustrado pelo espiral de hipnose e usado por mestres do cinema para provocar um mergulho mais profundo na história a ser contada.

Wes Anderson // Centered from kogonada on Vimeo.

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