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por Christian Camilo

Esta  crônica termina com uma série de acusações de mal enquadramento, abuso e roubo.
“Um fotografo parece que comeu mais do que devia.”
“Um fotografo, provavelmente o mesmo que comeu mais do que devia, roubou alguma decoração da festa.”

Esta história de intriga e suspense envolve uma sogra, uma noiva e um casamento.

O grande dia….

Um pouco ansioso, assim me sentia.
Primeiro casamento que iria fotografar.
Equipamento fotográfico tudo nos conformes.
Equipe afinada, todos preparados para o grande dia.

Do casal de noivos pouco sabia.
Era apenas um auxiliar, segundo fotógrafo, que deveria garantir apenas umas imagens complementares.

Atrás da câmera, observando a cerimonia,
o momento do lindo casal me emociona: lagrimas escorrem de meus olhos..

Este choro emocionado fotografando casamentos viria a ser mais frequente do que poderia imaginar.

Fim de cerimônia, e parentes possam pra fotos. O fotógrafo titular, que havia me contratado,
realiza as imagens mas se sente mal ao fim do ensaio com padrinhos e familiares dos noivos.

Com uma grave queda de pressão, a equipe de organização do casamento separa em um quarto para meu chefe.

Eu, como segundo fotógrafo, tecnicamente preparado, mas inexperientemente, assumo a responsabilidade
da cobertura.

Penso: não falta muita coisa, agora só preciso fazer o ensaio com os noivos e fotografar a festa.
O ensaio foi bem.
Fotografar um casal apaixonado, ou que “quer parecer” estar apaixonado, é fácil: o momento parecia um mar calmo, e sereno
para um marinheiro de primeira viagem.

Passado o ensaio veio o almoço.
Fotografar pessoas comendo não é algo agradável. Pelo menos não pra mim…
Nessa hora se espera que a equipe descanse, e provavelmente coma algo.

Noivos sentados, convidados em sua maioria esmagadora sentados, comendo, se divertindo.

Penso em sentar um pouco…já que não o cerimonial não parecia se importar com o almoço do fotógrafo.
Vou para fora do salão e tento me encostar numa mureta de tijolo quando ouço:

– Olá, você poderia fazer umas fotos minhas com minhas irmãs?
Era a mãe do noivo.

E você, que não está fazendo nada, quando era pra literalmente estar descasando um pouco, responde:
– Claro, por que não?

Após isso se sucede uma sequência de fotografias com a sogra da noiva e seus parentes. Aproximadamente uns 20 minutos
de fotos posadas com irmãs, amigos, parentes da sogra.
Um gesto profissional de minha parte. Contudo começo a estranhar. quantidade de pedido de fotos.
O máximo do estranhamento aconteceu quando a sogra da noiva me perguntou:

– Depois você me dá seu cartão para eu comprar essas fotos que você fez?
Respondi que todas as fotos seriam entregues a noiva, e que somente o fotógrafo titular, meu chefe, poderia responder isso a ela.

Cerca de 1 minuto  após responder isso para a sogra, a noiva aparece com uma expressão  um pouco sisuda.

O semblante feliz que estava brilhando em seus rosto uma hora ante  havia se dissipado.

A noiva solicitava em tom afirmativo e imponente para mim:

Você poderia me fotografar com minhas amigas?
Eu prontamente atendi seu pedido.
Comece a disparar fotos dela, posando com a famosa “cara de festa” .
Todos sorridentes, mostrando a alegria de estarem juntos aquele dia.

O que se segue após isso, para o inexperiente jovem fotógrafo que era o único responsável pela cobertura do casamento, é o óbvio:
Clicks, fotos de momentos espontâneos. Amigos Dançando, pulando, bebendo, gritando.
Geralmente a festa é um dos ápices de momentos espontâneos e expressivos.
Tudo parecia seguir o script do clássico casamento.

A vivacidade de pessoas felizes pode contagiar e distrair facilmente um inexperiente fotógrafo. Estando sozinho numa situação dessa é fácil se perguntar:

“Onde está a noiva e o noivo no meio a esse caos?”

A cobertura foto-jornalistica do casamento foi feita.
Meu chefe tinha garantido lindas fotografias da cerimônia e eu o arroz com feijão do que se seguiu em sua ausência.

Os principais momentos estavam eternizados: os noivos estavam lindos, as fotografias posadas com todos os parentes foram realizadas,  fotos da festa com amigos e uma família alegre de compartilharem esse dia juntos estavam aos montes em nosso arquivo.

Contudo, para este  “jovem Peter Parker”, a história não terminaria tão bem nesse primeiro casamento:

Dois dias depois, um e-mail do chefe – agora bem recuperado de saúde, chega com a pergunta:

– Rapaz, você por acaso almoçou duas vezes? A noiva disse que o Buffet está cobrando o valor de almoço dobrado e acredita que foi um dos fotógrafos.

Respodni que obviamente não almocei duas vezes. Afinal pra chegar nisso eu teria que ter almoçado pelo menos uma vez….

20 minutos depois outro e-mail chegue. O chefe novamente:

– Por acaso você viu um globo de vidro que estava na decoração? Parece que ele desapareceu e estão querendo cobrar da organização e de mim essa peça que sumiu!
Respondi que não tinha pegado nada….a situação estava cada vez mais estranha e constrangedora quando outra pergunta chegou:

– A noiva está me falando que você tentou vender um book para a sogra! Isso é verdade? Além disso a noiva criticou suas fotos (apesar de eu não as ter enviado ainda!!)

Meu chefe não sabia muito bem o que pensar. Algo muito errado tinha acontecido enquanto ele estava no soro quase desmaiado.
Obviamente algo envolvendo a noiva, a sogra da noiva, e o seu auxiliar, não tinha combinado bem.

Um fotógrafo de casamento precisa aprender quê:
A noiva é como um tigre solto no meio de pinguins,
a sogra da noiva provavelmente é o tigre preso,
e o fotógrafo deve ser o caçador dos momentos do  único tigre solto que deveria estar solto.
Virar comida de tigre pode virar o seu destino,
se os olhos do fotógrafo não forem exclusivos da noiva no seu dia.

 

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