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Ele escolheu fotografar o esplendor da vida em movimento nas ruas, praias, esquinas, campos de futebol, pistas de corrida.

 

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Martin Munkácsi

Martin Munkácsi foi um jornalista, escritor e um fotógrafo que nasceu  na Hungria no fim do séc XIX.

Seu trabalho é grandioso por abrir as portas de transição do movimento Pictorialista ( fase em que fotógrafos tentavam aproximar a fotografiad a pintura)  para o Modernismo (fase de nascimento de gêneros como Fotojornalismo e fotografia de Moda).

Martin Munkácsi

Construiu uma das carreiras mais diversas. Começou como fotógrafo de esportes, trabalhou em jornais trazendo belas imagens da política e da vida cotidiana na Alemanha.  Nos primeiros anos de carreira se destacou por ilustrar de maneira inovadora  fotografias esportivas com meticulosas técnicas e visões artisticas de composição. Nos EUA consolidou-se como um dos grandes expoentes da fotografia life-style e do foto-jornalismo.

Martin Munkácsi

Ganhou notoriedade em meados dos anos 20 quando registrou uma briga de rua que resultou em morte.  Suas imagens acabaram sendo decisivas para o julgamento e condenação do crime. A fama lhe rendeu um convite para trabalho em um dos mais importantes jornais de Berlin, na Alemanha. Um de seus primeiros trabalhos impactantes  no jornal BIZ (Berliner Illustrirte Zeitung) foi o do motociclista atravessando em alta velocidade uma poça de água (um verdadeiro desafio técnico para a câmera de grande formato na época). Seu trabalho no Berliner é considerado de fundamental importância para a fase do desenvolvimento técnico e artístico do fotojornalismo como estilo. O tema de suas fotos era bem diverso: com sua câmera de grande formato registrava esportes, política,  cotidiano e “life-style”.

Viajou para diversos lugares  ao longo de sua carreira e na Libéria acabou realizando uma de suas fotografias ícones – o registro de três garotos negros correndo em uma praia na Libéria. O célebre fotógrafo francês Cartier-Bresson citou inúmeras vezes esta imagem como a grande inspiração para dedicar-se a fotografia.

” Para mim, esta imagem foi o estalo que deu início a meu entusiasmo. Percebi, que captando o momento, a fotografia era capaz de atingir a eternidade. Esta é a única fotografia que me influenciou. Ela tem tanta intensidade, tanta alegria, tanta beleza, que me fascina até os dias de hoje”.

Martin Munkácsi

Ainda na Alemanha, Martin Munkácsi registrou pelo jornal BIZ a ascenção do nazismo e de Hitler ao governo alemão. Hitler e o Reich demitiram todos os judeus que trabalhavam no jornal e substituíram o criativo fotojornalismo por imagens dos batalhões e regimentos do exercito alemão. Entre os judeus demitidos estava  Munkácsi, que acabou emigrando para os EUA. Com sua fama conquistada ainda na Europa, Munkácsi recebeu um convite para trabalhar na revista Harpers Bazaar – uma das publicações mais importantes até hoje do segmento de moda/life style, se tornando na ocasião um dos fotógrafos mais bem pagos do planeta.

Nos EUA seu estilo teve grande influência no mercado da moda, foto-jornalismo e também na produção de imagens de grandes corporações comerciais. Influenciou grandes fotógrafos e artistas da imagem como os mitos Cartier-Bresson e Richard Avedon.

Martin Munkácsi

Martin Munkácsi

Martin Munkácsi foi um pioneiro em diversas frentes. Ao tratar a câmera de grande e médio formato “como uma câmera compacta”, Munkácsi conseguiu produzir imagens até então inéditas para a arte da fotografia. Podemos afirmar que entre suas imagens estão os primeiros passos do que conhecemos hoje como fotojornalismo. O curioso é que o fotógrafo Hungaro não se rendeu a portável câmera de 35mm por acreditar na vantagem de ter mais resolução com câmeras de maior formato. Se necessário fosse, poderia cortar a imagem durante o processo de revelação,  para produzir o aspecto de uma fotografia em 35mm.

Martin Munkácsi

Sua obra foi muito bem sintetizada pelo depoimento que transcrevi de Bresson. Munkácsi influenciou uma tremenda geração de foto-jornalistas e fotógrafos de moda que passaram a comunicar a beleza e a alegria de viver. Ironicamente morreu na pobreza e controverso. Não quis se render e se adaptar às mudanças do mercado como a portabilidade e praticidade de fotografar em 35mm e a grande concorrência que começou a surgir no momento em que uma geração de jovens talentos como Avedon e Bresson começaram a atrair e mudar a direção de arte das grandes publicações impressas. Atribuem sua falência social à bebida e às despendiosas separações conjugais.

A vida de Munkácsi traz de certa maneira um aspecto mais profundo de que sua própria obra. Enquanto Ansel Adams se dedicou a produzir belas paisagens com seu sistema de zonas, Munkáscksi capturou com pioneirismo o movimento humano. Esta maravilhosa idéia expressa em sua obra marcou de modo definitivo o foto-jornalismo e a fotografia de moda.

Fiz uma seleção de imagens no Pinterest para vocês poderem conferir mais imagens de Martin Munkácsi.

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