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Alguns insights para quem gosta de fazer retratos na rua

Um dos trabalhos que me dá maior prazer é encontrar personagens nas ruas, fotografa-los, e levar todo o encontro eternizado em arquivo digital para meu computador. É uma enorme satisfação o estilo retrato. Essa intimidade com o “objeto” dá a possibilidade de explorarmos todo o potencial de nossas câmeras digitais e lentes.

Nessa série que batizei de Retratos Monumentais fui bem influenciado pelo trabalho de meu amigo Pedro Oliveira, um retratista premiado e especialista nos chamados “head-shots”. Sair para as ruas também significou aplicar os conceitos de Robert Doisneau e criar uma outra série batizada de Campinas por Acaso.

Fotografar na rua pode ser muito intimidador e isso afeta até mesmo fotógrafos mais experientes. Afinal, quando somos extrangeiros em terra alheia, temos que muitas vezes confiar nos nossos instintos e em algumas ocasiões podemos nos surprender negativamente.

Vou listar alguns pensamentos na produção desta série Retratos Monumentais que julto relevantes par quem quiser se aventurar em retratos de rua.

1 – Não tenha pressa

Retratos Monumentais
Monumentais – 2018 – Christian Camilo

Pressa é inimiga do seu crescimento pessoal e também impede que você extraia de seu personagem confiança. Quando o retratado tem empatia por ti você está muito perto de conseguir a foto perfeita.

2 – Identifique um motivo sincero para abordar pessoas


Retratos Monumentais

Monumentais – 2018 – Christian Camilo

Não adianta sair falando para as pessoas na rua que você é fotógrafo e quer fazer um retrato da cara dela. Isso pode até dar certo mas gera em muitos desconfiança. Você precisa entender dentro de sua própria alma porque quer retratar determinada pessoa. Seja sincero, mas sem ser vulgar. E pense muito antes de falar. Mulheres e crianças na rua estão expostos a riscos e qualquer pessoa estranha com uma câmera pode representar perigo. Procure conversar num tom calmo, seja simpático, sincero e se acostume com a idéia de que muitos irão lhe achar uma pessoa estranha.

3 – Tenha uma missão

Retratos Monumentais

Monumentais – 2018 – Christian Camilo

Praticar retratos de rua por puro prazer é para poucos. Ao falar com um personagem a curiosidade virá a tona em pergunta: Por quê você está fazendo isso? Tente achar um projeto pessoal para responder essa questão. Pense num livro, numa exposição, num projeto com algum grupo ou ONG. Isso pode ajudar muito na probabilidade das pessoas aceitarem serem retratadas.

4 – Consiga autorização por escrito ou em vídeo.

Não será fácil. Muitas vezes o personagem está com pressa. Em outra situações ele irá suspeitar do seu termo de autorização. Mas com esse recurso você ficará tranquilo para usar as imagens em trabalhos artísticos. Vídeo pode ser uma opção mas legalmente nada te livra mais que um documento com todos os dados do retratado assinado. Ainda assim haverá situações em que a foto valerá mais do que essa preocupação e você terá que decidir se o clique vale o risco. O direito de imagem é de ambos, e muitas pessoas que frequentam o centro estão em situação social frágil ou simplesmente não querem ser achadas.

5 – Não esconda sua câmera

Retratos Monumentais

Monumentais – 2018 – Christian Camilo

Por mais estranho que possa parecer, andar inseguro com a câmera na mão irá aumentar a sensação de insegurança de pessoas que andam na rua. Não levante suspeitas. Você deve agir como um turista, um fotógrafo seguro do que está fazendo. Não seja sorrateiro, não esconda a câmera. E no retrato, em minha opinião, você deve sempre falar com o retratado – antes ou após o clique.

6 – Escolha um equipamento mais discreto

Retratos Monumentais

Monumentais – 2018 – Christian Camilo

Quanto maior for seu equipamento, maior for sua lente, mais atenção você chamará para seu equipamento. Esse é um dos motivos pelos quais a Olympus EM5 que usei nesta série de retratos é fantastica. Sinto muita liberdade e carregando a panasonic 12-32 pareço estar fotografando com uma câmera de filme. Um verdadeiro “amante” da fotografia e não um possível detetive perseguidor de pessoas com aquela graaande tele-objetiva.

7 – Em lugares de risco procure conhecer o local antes

Retratos de Rua
OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Valerá muito a pena você visitar o local antes de sair fotografando pessoas. Muitas vezes é bom conversar com comerciantes, trabalhadores do local, para sondar a possibilidade de um projeto de fotos e retratos. Conhecendo as pessoas, a dinâmica e as responsabilidades dos personagens no ambiente você se sentirá muito mais seguro para fazer um trabalho fotográfico.

8 – Evolua como humano

Retratos de Rua

Fotografar pessoas, fazer retratos de rua, significa conhece-las. Pergunte a si mesmo sempre qual é o limite de uma foto. Até que ponto você deve ir nesse desafio e quando valerá a pena não fazer uma foto para de fato ajudar alguém com sua atenção. Fotógrafos são como caçadores atrás da melhor imagem possível, mas atrás de todo “monumental” tinha uma história. Algumas delas descobri e fazem a fotografia muito melhor. Outras infelizmente foram “cliques” porque eu não estava aberto o suficiente para ouvir e descobrir.

Retratos Monumentais
Monumentais – 2018 – Christian Camilo
Retratos de Rua
Retratos de Rua

Muitas fotografias ainda estão na gaveta nesta série Retratos Monumentais. Um dia espero finaliza-la e expor. Já fiz um livro piloto mas não sei quando pretendo rodar um projeto mais ousado. Julgo até que mais fotografias poderão ser feitas dentro dessa série cujo o conceito estético era se aproximar muito dos personagens no ato da fotografia. Nos Retratos Monumentais aproveite do efeito de distorção da lente grande angular e isso fez meus personagens “maiores”.

Em breve irei escrever algumas dicas sobre fotografia de rua, um estilo mais livre e sem tanta responsabilidade e intimidade com os personagens que encontramos por aí!

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